Correr no frio faz bem ou mal à saúde?
© Gabriele Facciotti

Correr no frio faz bem ou mal à saúde?

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Por Linford Dirou

Publicado em qua., 9 de setembro de 2026

Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026

É uma ideia feita difícil de contrariar: praticar exercício no frio pode ser perigoso para a saúde. Uns aproveitam para se enroscar no sofá, outros correm para o ginásio para suar em bica. Nós propomos quebrar o gelo: por trás das crenças, esconde-se uma realidade bem diferente.

«Vais correr com este frio? Estás maluco, vais ficar doente e não faz nada bem esforçares-te com este tempo!» Os bons conselhos da mãe ou do teu companheiro, sem dúvida bem-intencionados, partem do desejo de te proteger do terrível perigo que o inverno representa para o teu pequeno corpo frágil, mas não são propriamente legítimos. Se quem não pratica desporto ao ar livre receia ficar doente ou prejudicar a saúde ao sair para treinar no inverno, o frio não é, afinal, o inimigo que imaginamos.

Frio, sim, mas qual?

«O frio nas nossas regiões da Europa Ocidental não é um problema, porque não é extremo», considera Guillaume Millet, doutorado em fisiologia do exercício e especialista em ultrarresistência. «Os problemas começam abaixo dos -15 °C.» Raramente registadas em França, estas condições afetam muito poucos praticantes. Quem vive na montanha pode deparar-se com estas temperaturas, mas continuam a ser excecionais. Nas nossas regiões da Europa Ocidental, o frio a que estamos sujeitos não constitui, portanto, um perigo real para a saúde.

O frio, um falso problema

Quando somos expostos ao frio, o organismo adapta-se para manter a temperatura próxima dos 37 °C. É o que se chama termogénese.

  • Os vasos sanguíneos subcutâneos contraem-se, num processo chamado vasoconstrição, para reduzir o afluxo de sangue e limitar a perda de calor

  • As necessidades de oxigénio do coração aumentam, enquanto os músculos recebem menos irrigação sanguínea.

  • Surgem tremores e os pelos eriçam-se para criar uma fina camada de ar quente junto à pele

  • A respiração e a diurese sofrem alterações

  • O consumo de energia aumenta

Todos estes fenómenos fazem parte da estratégia do organismo para gerar calor apesar das condições meteorológicas adversas. Então, por que razão haveríamos de limitar a atividade física, se o esforço realizado permite produzir calor? «Aquecemos rapidamente quando corremos. A única precaução necessária diz respeito às extremidades, mãos, pés e cabeça, que devem estar protegidas», explica Guillaume Millet.

Na prática, não se sai para a neve de calções e t-shirt, nem com temperaturas negativas. O segredo é equipar-se adequadamente para ter apenas o calor necessário, sem acumular roupa ao ponto de transpirar em excesso. O melhor indicador para saber se está suficientemente vestido para correr no inverno é sentir um pouco de frio ao sair de casa e durante os primeiros 10 minutos de corrida. Se és realmente friorento, começa com uma camada ligeiramente a mais e tira-a assim que começares a sobreaquecer. Usa luvas, gorro ou fita para a cabeça, além de boas meias.

Por fim, quanto ao aumento do consumo de energia provocado pela termogénese, ele é muito reduzido: representa apenas 5 a 10% do gasto calórico global em repouso. Quando corremos, a temperatura corporal sobe, pelo que o organismo deixa de tremer e de gastar essa energia adicional. O acréscimo do gasto energético passa então a resultar da própria atividade física, e não da termogénese. Praticar desporto no frio não é, portanto, um problema. Pelo contrário!

Esforços repetidos num frio intenso, um problema real

Para além das condições extremas de que já falámos, com temperaturas inferiores a -15 °C, a repetição de esforços no frio pode tornar-se prejudicial para a saúde. «Um dos problemas que pode surgir ocorre quando o atleta se esforça regularmente no frio, como acontece com os esquiadores de fundo e os biatletas», explica Guillaume Millet. «Aliás, muitos esquiadores de fundo usam Ventoline para tratar uma asma provocada pelo treino recorrente no frio.»

Com efeito, o pulmão é o órgão mais exposto quando o ar está frio e seco. Uma das soluções passa por respirar através de uma «máscara», por exemplo, um tubo de pescoço puxado acima do nariz. O corredor frequentemente exposto ao frio, sobretudo quem vive e treina na montanha durante todo o ano, tem muito a ganhar ao adotar este tipo de estratégia.

Assim, salvo em condições extremas ou em situações de treino específicas, o frio não é tão perigoso como afirmam as ideias feitas e a tua mãe sempre preocupada. Com roupa adequada, é possível correr sem receio durante o inverno em França, desde que se tenha atenção a outros fatores, como o gelo, que pode dar origem a algumas acrobacias dolorosas!

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